TROCANDO IDEIA COM REBECA TOLMASQUIM

Por: flaviamuniz

out 08 2010

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Categoria: Entrevistas

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Abertura:f/3.2
Comprimento Focal:6.3mm
ISO:200
Disparador:1/45 seg
Câmera:SAMSUNG ES17 / VLUU ES17 / SAMSUNG SL40 / SAMSUNG ES19

Em homenagem ao dia das crianças fiz questão de conversar com algum representante desta etapa da vida. A Rebeca é filha da minha professora de hebraico e desde que a conheci fui um encanto só! É uma menina de doze anos, personalidade forte e aquele jeito doce que as crianças tem sem precisar de açúcar. Rebeca Tolmasquim escreve, dança, faz teatro e tem opiniões para todos os assuntos. Ela terminou de escrever um livro, mantém o blog REBULIÇOS e adora pesquisar! É uma curiosa nata! Os vídeos são imperdíveis!

FLÁVIA: Fala pra mim, Rebeca: de que modo você se apresenta?

REBECA: Ah… Como eu me apresento? Eu em geral, reparo que algumas pessoas, quando você as chama, elas respondem de um jeito. Então se eu chamo alguém, a pessoa fala sim; eu em geral falo oi. Então eu imagino que quando alguém me pergunte quem eu sou, eu devo falar: oi! Eu sou a Rebeca e aí eu me apresento falando quem eu sou e que eu sou uma pessoa bem feliz, assim: ah! E as coisas que eu quero fazer: que eu quero ser escritora, atriz… Em geral eu falo um pouquinho sobre mim.

FLÁVIA: Por que você achou que queria ser atriz? Percebeu que levava jeito? Foi na aula de teatro do colégio?

REBECA: Decidi que queria ser atriz quando eu estava na segunda série. Eu tinha oito anos, eu acho. Teve uma apresentação na escola que era um livro Morreu Tio Eurico Rubião Ficou Rico. O principal era o Rubião e eu fiz o Rubião. Eu me lembro que na hora que falaram vamos ver quem vai fazer bem e eu substituí um menino. A professora falou assim: você que vai ficar com o papel do Rubião. E eu disse: ah! Tudo bem! E eu me lembro que depois da apresentação muita gente aplaudiu, muita gente veio me elogiar. E eu gostava muito de ficar brincando de algumas histórias. Aí eu pensei: deve ser isso mesmo e eu fui descobrindo que era isso que eu queria.

FLÁVIA: Você podia contar aquela história do seu primeiro trabalho que você fez a narração daquele programa?

REBECA: Ah! Tá! Eu tava na terceira série, eu já tinha dez anos! E o pai de uma amiga minha era diretor de um programa da TV Futura. Este diretor me indicou pra eu fazer uma locução. Eu fui. Não foi uma seleção muito grande, foi mais pra ver se indicação era boa mesmo. E então eu entrei numa cabine de som, que é um lugar escuro, só com um vidro e um microfone! E eu tinha que fazer perguntas pra instrumentistas da orquestra sinfônica jovem – no programa é a Maquineta. Eu não apareço, mas aparece a minha voz perguntando. Depois eu fiz uma outra vinheta pra esse mesmo programa chamado Que bicho é em que apareciam fotos de animais e eu fazia a voz deles. Então tinha o beija-flor – que é o animal mais rápido – aí a voz ficava muito rápida. Ou a aranha que tinha uma voz grossa. Só isso!

FLÁVIA: Quero pedir pra você ler uma poesia sua.

FLÁVIA: Você pode falar um pouco do livro que acabou de escrever ou ainda é segredo?

REBECA: Não! Eu posso falar da história! Eu escrevi um livro agora que se chama Até o céu. É sobre uma garota toda extrovertida, impaciente e no meio do nada ela ficou silenciosa, meditando. Esta menina está indo viajar pra Ásia. Eles estão no aeroporto e parece que o Rio de Janeiro inteiro ia nesse avião , mas o avião foi cancelado. Um caos. Todo mundo desesperado. Então ela sentou no chão e começou a meditar. E de repente tava numa terra nova. Ela quer descobrir que lugar é aquele e começa a conversar com um maxixe. Ela está achando tudo muito estranho: as pessoas, as coisas, legumes falando – falando pra você: não me come! Tentando explicar pra ela, mas não podendo explicar o que que é aquela terra. Ela encontra um mago que diz assim: essa é a terra da liberdade. Na terra da liberdade você não é totalmente livre. Você se sente totalmente livre, mas você não é livre. Você só perde essa sensação de liberdade se você for injusto com alguém. E nessa terra tinha também tesouros – dois cálices: um com suco de laranja e outro com vinho. Se você bebesse um você voltava pra Terra normal, se você bebesse o outro você ficaria pra sempre na terra da liberdade, se você fizesse uma mistura você ia fazer tudo o que você quisesse. Tudo! Você poderia fazer tudo o que você quisesse! Sendo que ninguém ganancioso pode pegar nesses cálices. E a principal, que é a Liora, encontra uma menina que não é nem um pouco gananciosa e as duas saem em busca dos cálices.

FLÁVIA: Sua mãe é bem atuante em relação ao direito da criança e do adolescente. Você acaba acompanhando estas questões, né? Me conta: o que é ser criança e qual é a sua opinião sobre as injustiças sociais contra as crianças e os adolescentes?

REBECA: Posso me revoltar?

FLÁVIA: Pode tudo! Você está na terra da liberdade!

REBECA: Bom, eu acho que criança é uma coisa muito parecida com adulto. E um dia eu tava pensando e acabei chegando a uma conclusão que criança é um adulto, só que não é tão preocupada com as coisas. A criança quer ser feliz! Toda hora tá brincando e o adulto não. O adulto está sempre procurando uma forma de viver melhor. Então essa é a diferença: os adultos são mais preocupados com as coisas. E o que era outra coisa mesmo?

FLÁVIA: sobre as injustiças.

REBECA: Ah! Muitos adultos acham que criança não tem sua opinião própria. Então várias vezes eu vou pra algum lugar e perguntam pros meus pais o que que eu acho, mas não perguntam o que que eu acho. Às vezes eu acho que as pessoas não confiam tanto nas crianças. É! Não confiam nem em criança, nem em adolescente. Não confiam mesmo!! E às vezes nem tanto respeito assim. Então eu acho que acaba tendo uma relação péssima, porque se a pessoa não confia na outra, se um adulto não confia numa criança, a criança ao confia no adulto! E ficam falando que as crianças são de um certo modo, mas cada criança tem um jeito, não é pra generalizar nenhuma criança. Generalizar não é uma coisa muito boa e que criança cada uma tem um jeito, cada uma é uma pessoa diferente e cada uma tem a opinião delas, não dos pais.

FLÁVIA: De que jeito você aprendeu essas coisas? Você fica pensando sobre elas?

REBECA: Eu? Eu tenho uma irmã e um irmão mais velhos e sou muito influenciada por eles. Eles falavam de alguma coisa, eu queria entender o que era. Eu ia pesquisar o que é isso, o que é aquilo e acabei sabendo coisas que muita gente da minha idade não sabia. E também faço parte de um movimento juvenil judaico que é socialista. Eu acho que foi lá que eu aprendi, mais ou menos, o que é respeito, o que é confiança… E acho que também tem muito de mim. Eu penso e sempre to querendo discutir esses assuntos. Sempre quero falar do que eu penso pra ver se o que eu pendo está, de um certo modo, certo. Eu sempre estou buscando conhecimento. Sempre to buscando debater. Eu leio e pesquiso muito.

FLÁVIA: Você já leu a Carta da Terra. É uma carta que abre os olhos das pessoas para a importância de construirmos um mundo de paz, respeito entre os povos etc. Estou falando isso, pois hoje se fala muito em globalização e sustentabilidade. Qual é sua opinião sobre isso?

REBECA: Em relação a natureza, tem algumas coisas que me influenciam muito: propagandas sobre o meio ambiente, tem muita coisa sobre a conscientização e eu tomo muito cuidado, mas não exagero. Então o meu banho diminuiu de tempo, uso papel reciclado. Eu tento fazer o que eu passo, que tá dentro do que eu posso. E sobre isso da globalização… Eu acho que as culturas são diferentes, mas que todos deveriam se respeitar, todos deveriam viver bem, aliás estão todos dividindo o meu espaço – pode ser dividido em país, em continente, mas está tudo mundo no mesmo espaço. E tem que haver uma relação muito boa entre cada povo, entre cada nação, entre cada cultura e mesmo de um país. E pra viver junto tem que ter respeito, confiança.

FLÁVIA: De que jeito você imagina o mundo quando estiver com 30 anos?

REBECA: Eu sempre quis ter uma máquina de escrever verde, um telefone de disco verde, um fusca verde e um all star verde. O all star verde eu já tenho! (risos) Mas eu me imagino com trinta anos dirigindo um fusca com uma máquina de escrever, um telefone… Eu vivo pensando como eu vou ser no futuro e imagino que não vou ser tão diferente… Eu só me imagino com o fusca, a máquina de escrever. São bem meus sonhos. Mas eu imagino que as pessoas seriam bem mais conscientes de tudo. Então eu moraria em Santa Teresa e a minha casa seria cheia de plantas. Eu acho que as pessoas teriam mais esse hábito de morar em casa. Eu acho que as pessoas não estariam só pensando em evoluir Elas estariam num momento mais sossegado.

FLÁVIA: Quer falar mais alguma coisa?

REBECA: Do blog! Eu tenho um blog se chama REBULIÇOS. Tomara que todos vocês entrem lá pra ver textos meus e histórias minhas. É isso!

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